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Complex Cognition and Mental Health

A cognição reflete a nossa capacidade de lidar com situações complexas

A cognição envolve a tomada de decisões, o planeamento e a criatividade. Afeta a capacidade de nos adaptarmos e de termos sucesso no mundo.

Um pai ocupado planeia as refeições da semana, termina um projeto de trabalho e ajuda o filho com os trabalhos de casa. Um estudante universitário estuda para um exame e escolhe as cadeiras que quer frequentar no próximo semestre. Um gestor dá formação a um novo funcionário, resolve uma reclamação e finaliza os pedidos de orçamento do departamento. A cognição intervém em todos estes cenários.

A cognição reflete a nossa capacidade de lidar com situações difíceis e de tomar decisões com base num panorama mais amplo. Envolve a resolução de problemas, a criatividade e a capacidade de adaptação às mudanças. É uma das subcategorias avaliadas no MHQ (Quociente de Saúde Mental) do Projeto Saúde Mental de Milhões.

Se tiver uma cognição saudável, provavelmente consegue fazer o seguinte:

  • Adaptar-se às mudanças de rotina
  • Ter ideias novas e encontrar soluções para os problemas
  • Priorizar, planear e organizar tarefas e atividades
  • Correr riscos calculados ao tomar decisões.

Alguém com dificuldades de cognição pode notar o seguinte:

  • Não conseguir encontrar sentido para a vida
  • Ter dificuldade em tomar decisões básicas
  • Correr riscos que não beneficiam ao longo termo

Causas de uma cognição baixa

Pode haver várias causas para as dificuldades de cognição. Alguém pode ter um problema de saúde mental que afete o pensamento. Outra pessoa pode ter tido uma lesão cerebral ou sofrer efeitos secundários da medicação que toma. Também há condições genéticas que podem afetar a cognição. Nos adultos em envelhecimento, a cognição pode deteriorar-se ao longo do tempo.

Se teve uma pontuação de cognição particularmente baixa no MHQ (0 ou menos), deverá pensar em procurar aconselhamento profissional para resolver os problemas que tem e descartar problemas pré-existentes. Se precisar de ajuda para encontrar serviços no âmbito local, pode ligar para as Linhas de Crise do Serviço Nacional de Saúde, se residir em Portugal.

Como aumentar a minha cognição?

Há várias formas de aumentar a sua cognição. Se houver uma causa subjacente ou externa que a esteja a afetar, tratá-la pode ajudar a resolver o problema. Às vezes, pessoas com dificuldades emocionais (como a depressão) ou pessoas sujeitas a altos níveis de stresse podem ter dificuldade em tomar decisões e fazer planos. Os episódios ativos de psicose ou mania também podem afetar os processos de pensamento. Cuidar da sua saúde emocional pode, por sua vez, melhorar a cognição.

Por vezes, tratar doenças físicas pode fazer toda a diferença. Por exemplo, há medicamentos que podem atrasar a evolução da doença de Alzheimer e ajudar a conservar as aptidões cognitivas durante mais tempo. Ou, se alguém tiver tido uma lesão cerebral, pode haver formas de lidar com a falta de memória ou a resolução de problemas a longo prazo.

Mas, embora a medicação possa ajudar o cérebro, também pode ser o problema, provocando efeitos secundários que afetem a cognição. O importante é falar com a sua equipa médica para o(a) ajudar a identificar a melhor forma de resolver a sua situação pessoal.

Se teve uma pontuação cognitiva positiva no MHQ, pode sempre encontrar formas de continuar a desafiar-se e a proteger o seu cérebro ao longo do tempo. O Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA) recomenda que cuide da sua saúde física, mantendo a sua mente ativa através da aquisição de novos conhecimentos e competências, e cultivando laços sociais. Atividades como voluntariado, hobbies ou frequentar aulas podem ajudar a criar uma “reserva cognitiva”, segundo o NIA. Isto pode ajudar o cérebro a adaptar-se aos efeitos do envelhecimento. Há até provas de que as aptidões cognitivas podem ser ativamente ensinadas a pacientes idosos.

Atividades como a prática da atenção plena e a meditação também podem ajudar a reduzir o stresse, o que por sua vez ajuda a melhorar a cognição. As atividades que associam a atenção plena e o movimento, como o ioga ou o tai chi, podem ajudar a melhorar a função cerebral a longo prazo. O Harvard Health salienta que o tai chi pode atrasar os sinais de demência em alguns pacientes e pode melhorar a função cerebral para quem não tem problemas prévios. Numa análise de 20 estudos sobre o tai chi e a cognição, o tai chi demonstrou melhorar a função executiva—sobretudo a capacidade de realizar várias tarefas em simultâneo, gerir o tempo e tomar decisões—mesmo em pessoas sem registo de declínio na capacidade cognitiva.

A cognição afeta muitas áreas da vida, daí que seja útil compreender a sua importância, como protegê-la e porque é importante procurar ajuda, se precisar.